Crianças de bairros pobres de Porto Príncipe foram os protagonistas de um campeonato de futebol que seguiu o modelo da Copa do Mundo da Fifa, reunindo 32 regiões da Grande Bel Air e de suas redondezas. Objetivo foi reforçar o desenvolvimento de uma cultura de paz na comunidade, dando aos jovens senso de ética esportiva.
O Haiti tem uma história complexa e dinâmica desde o século XVIII, quando foi considerado a “pérola das Antilhas”, até sua classificação como a nação mais pobre do Ocidente, no século XXI. Desde a sua independência em 1804, a República do Haiti (Repiblik Dayti, em créole) tem enfrentado continuamente problemas e desafios para alcançar a estabilidade política, o crescimento econômico, uma infraestrutura básica e um nível mínimo de segurança para sua população.
A má gestão do lixo é um problema crônico de Bel-Air e os canais do bairro são verdadeiras lixeiras a céu aberto. Desde 2009, porém, uma campanha de ação para limpeza e saneamento da região, inscrita no programa Fatra Pa Gen Pye (em crioulo, 'Lixo não tem pernas'), vem dando nova cara ao bairro. Os resultados são encorajadores e, com o terremoto, o projeto tornou-se ainda mais necessário e passou a contratar moradores locais.
Uma iniciativa procura trazer água potável para Bel-Air e valorizar suas mulheres, em um bairro onde a água custa sete vezes mais do que na Europa. O projeto se chama "Dlo Fanm Sante", que, em crioulo, quer dizer "Água, Mulheres e Saúde". Conheça esse trabalho que antecede o terremoto de janeiro de 2010, mas que se torna ainda mais importante hoje, em Porto Príncipe, capital do Haiti.
Formados pelos militares brasileiros da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah), jovens haitianos que compõem a equipe são treinados para responder às demandas da população em primeiros-socorros, em casos de incêndio e inundações, entre outros. A Brigada já marcou profundamente algumas localidades de Bel-Air, bairro de Porto Príncipe, principalmente após o terremoto de 12 de janeiro.
O terremoto de 12 de janeiro de 2010 representou uma mudança no curso de muitas vias haitianas. Uma nova realidade regida, sobretudo, pela emergência e pela solidariedade, se instaurou no país após a catástrofe. Em Kay Nou – que quer dizer “nossa casa” em crioulo, sede do projeto “Honra e Respeito por Bel-Air”, da ONG Viva Rio, na capital Porto Príncipe, não foi diferente.
Com uma população de 9,8 milhões de habitantes, dos quais 47% são analfabetos e 80% vivem abaixo da linha da pobreza a história do Haiti já parecia um roteiro de tragédia humana encenada antes do drama final: o terremoto de 12 de janeiro de 2010.
O desafio de reconstruir um país devastado pela força da natureza e por séculos de miséria e malversação dos recursos públicos é comparável, na atualidade, ao pós guerra na Europa de meados do século XX.
Nesta semana, em Nova Iorque, estará acontecendo uma importante reunião na ONU que iniciará a traçar o futuro do Haiti. Trata-se do “encontro dos doadores”. Um foro dos principais países envolvidos na reconstrução do país destruído pelo terremoto de 12 de janeiro, onde o Brasil, junto aos Estados Unidos e a União Européia, preside a seção.
O Brasil tem seguido uma trajetória bastante única na área da saúde, e essa experiência pode ter uma influência fortemente positiva na reconstrução da sociedade haitiana.